Caracteristicas e tendências atuais do Bairro

Caracteristicas e tendências atuais no Fonseca

O Fonseca é um bairro de ruas asfaltadas que precisa arborizar mais as suas vias internas e é razoavelmente servido de água e esgoto, como também de limpeza pública. O bairro dispõe de energia elétrica (até nas áreas favelizadas) e de transporte coletivo eficientes. Possui um número expressivo de escolas públicas (7) e particulares (8), embora este número seja insuficiente para atender as carências. Funcionam no bairro dois hospitais: o infantil, Getúlio Vargas Filho; e o estadual, Azevedo Lima, que cuidava de doenças pulmonares como a tuberculose e hoje encontra-se em decadência e estado de abandono.
No Fonseca são significativas as diferenças com outros antigos bairros da cidade como Centro e Icaraí. Nestes, o traçado das ruas assume a forma de “tabuleiro de xadrez”, possibilitando diferentes acessos e facilitando a circulação. No Fonseca, o “tabuleiro” aparece em alguns pontos, mas não no todo, além das ruas não se interligarem. Com isso, a Alameda São Boaventura é a única via comum a todos os pontos do bairro. Este fato, e também por estar a Alameda ligada diretamente à Ponte Rio-Niterói e à rodovia tronco norte-fluminense e ser via de passagem, torna intenso o fluxo de veículos que transportam pessoas e cargas.
Ao longo dos últimos anos o Fonseca tornou-se um bairro de classe média baixa e de trabalhadores. Intensificou-se o processo de favelização em algumas áreas ao mesmo tempo em que se acelerou a construção de conjuntos de edifícios. Gradativamente está mudando o perfil da Alameda (9) de residencial para comercial. Alguns antigos estabelecimentos comerciais, bares, açougues, padarias, e até um geleiro, sobrevivem. A estes somam-se novos estabelecimentos como agência de automóveis, lojas de auto-peças, postos de gasolina, supermercado, sacolões, restaurantes e lanchonetes, lojas de móveis (usados e novos), oficinas, casas de show, clubes, lojas de roupas/pronta entrega, drogarias, vídeo-locadoras, loja de material e laboratório fotográfico.
As edificações utilizadas para as atividades que se multiplicam e diversificam na Alameda têm diferentes origens. São prédios comerciais do início do século onde funcionavam os desaparecidos armazéns de secos e molhados; prédios construídos com um objetivo mas que hoje têm funções bastante diferentes (Cinema Alameda, hoje uma igreja; Cine São Jorge, hoje loja de auto-peças); e prédios especificamente construídos para atividades comerciais, além de casas reformadas e adaptadas.
Ao longo da Alameda também funcionam agências bancárias, agência do correio, clubes, igrejas, clínicas, escolas, além da Penitenciária Estadual Ferreira Neto (em estado de abandono a antiga residência do diretor da prisão), a delegacia policial, o Jardim Botânico Nilo Peçanha (Horto do Fonseca), um quartel da Polícia Militar e o Museu da Eletricidade.
Outras ruas são importantes, tanto para a movimentação interna do bairro, quanto para o acesso a outros bairros, são elas: São Januário, Desembargador Lima Castro, 22 de Novembro, João Brasil, Carlos Maximiano, São José, Riodades, Teixeira de Freitas e Leite Ribeiro.
Nas atividades econômicas o destaque é o comércio. Este comércio é, pela maioria de seus estabelecimentos, de pequeno porte, servindo principalmente aos seus moradores. Possui apenas um supermercado, uma concessionária de automóveis, e uma empresa de ônibus — como estabelecimentos de grande porte. Nas ruas internas do bairro são encontradas muitas lojas para abastecimento local e emergencial como padarias, bares, mercearias, barbearias, oficinas, depósitos e armarinhos.
A ocupação do Fonseca se deu inicialmente ao longo da Alameda, mais fortemente nos seus dois extremos, o Ponto de Cem Réis (10) e o Largo do Moura, com diferentes perfis sócio-econômicos (o início da Alameda, era um endereço mais nobre). Depois estendeu-se até as encostas dos morros, fazendo com que surgissem outras localidades cujas denominações estabelecem certa confusão: Bairro Chic, Buraco do Juca, Riodades, Teixeira de Freitas, Palmeiras, São José, etc.

Problemas atuais do bairro Fonseca

O Fonseca tem muitos problemas que exigem atenção e ação específica do poder público, os principais são:

  • O trânsito de veículos na Alameda São Boaventura (11) que causa constantes engarrafamentos e provoca transtornos e riscos para moradores e usuários;
  • A escassez de vias alternativas para acesso ao bairro e para a movimentação interna;
  • O escoamento das águas pluviais. Toda a água das chuvas praticamente converge para o canal da Vicência, exigindo trabalho permanente de limpeza e desobstrução deste e de suas saídas (nova e antiga). Também nos temporais, em vários pontos do bairro a lama desce pelas encostas, chegando até a Alameda;
  • A presença de conflitos pelo domínio de “pontos” pela criminalidade, principalmente nas áreas de favelização;
  • Falta de espaços de lazer. Não há praças significativas, sendo o único lugar público amplo o Horto (12), que está cada vez mais ocupado por outras atividades, descaracterizando uma grande área de lazer infantil. O mini-zoológico funciona em espaço reduzido e mal aparelhado; a área dos viveiros e estufas está em ruínas ou abandonada;
  • A não adequadação (ampliação) e reaparelhamento de serviços públicos ao crescimento e ocupação do bairro;
    O Fonseca, embora tenha sido uma região de passagem desde o período colonial e assista a crescente utilização comercial e rodoviária da Alameda, foi e continua sendo um bairro predominantemente residencial. Este fato deve ser considerado como o mais significativo na definição de políticas públicas destinadas ao bairro.
  •  Comparativamente com os demais, é o bairro com maior contingente de escolas públicas, mas em sua maioria do 1º grau. A mais antiga é o Colégio Estadual Hilário Ribeiro (Grupo Escolar), construído em terreno do Horto, que teve seu antigo prédio demolido e um inteiramente novo foi erguido no mesmo terreno.

Escolas, Horto Botânicos, ruas e outros

A mais famosa escola particular do Fonseca foi o antigo Colégio Brasil, que encerrou suas atividades em 1985. Inicialmente funcionava em internato e externato para rapazes (década de 20) e mais tarde foi aberta para meninas (década de 30). O terreno do antigo Colégio Brasil foi totalmente loteado, só restando um dos prédios que seria transformado em centro cultural mas encontra-se abandonado. A rua João Brasil também pertencia ao terreno do Colégio, sendo sua área doada pelo antigo proprietário. Enquanto o Colégio Brasil sempre teve predominância de alunos, o Colégio de N. S. das Mercês (internato e externato, hoje só externato), era um colégio tradicional para alunas e só nas últimas décadas admitiu a matrícula de meninos. Ambos os Colégios eram bem equipados, com instalações amplas deixando claro o seu público alvo, os filhos das famílias abastadas do Fonseca, de Niterói e do Interior.

Os antigos moradores sonhavam em morar na Alameda, que era um endereço nobre não só do Fonseca, como de Niterói. Pertencente ao bairro de Santana.  A Alameda São Boaventura, com seus 3.100 metros de comprimento, é uma larga avenida (30m), cortada pelo canal da Vicência, com pontes e passadiços ao longo de seu percurso. Suas largas calçadas foram reduzidas para aumentar a pista de rolamento. Localizado na Alameda São Boaventura, 770, seu terreno foi comprado pelo médico Francisco da Fonseca Diniz e posteriormente adquirido pela Olaria Progresso, que faliu. Foi então, incorporado ao Patrimônio do Estado, devido as dívidas. Em 1905, por decreto do então Governador Nilo Peçanha, foi criado o Horto Botânico de Niterói, com o objetivo de distribuir aos agricultores mudas e sementes têxteis e medicinais. Foram construídas estufas de plantas ornamentais, tanques de germinação, pomares de departamentos de plantas fibrosas.

No período de 1918 a 27, o Palácio Euclides da Cunha, abrigou a Escola Superior de Agricultura e Veterinária, onde funcionavam os cursos de Agronomia, Veterinária e Química, até a sua transferência para outros locais (Rio de Janeiro). Em 1942, foi criado o mini-zoo. Em 1975, com a fusão, foi transformado em Jardim Botânico Nilo Peçanha. Abriga diversos órgãos e entidades: a Secretaria de Estado de Agricultura, laboratórios de análise de solos, adubos, sementes, produtos animais, fibratologia, filopatologia, entomologia, PESAGRO, SIAGRO, EMATER, COAPI. No Horto ainda funciona um grupo escoteiro, há ruínas de uma antiga olaria e em uma área do seu território, vizinha a rua Leite Ribeiro, foi construído um CIEP.

 

 

Fonte: www.nitvista.com.br