História do bairro

A História do Bairro do Fonseca

O Fonseca é um bairro tradicional do município de Niterói no Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Bastante arborizado, abriga o Horto Botânico de Niterói e uma das principais vias de acesso à cidade e a capital do Estado. Predominantemente residencial, o padrão de vida de seus moradores varia entre a classe média alta à classe média-baixa.

História

Niterói quando ainda era chamada de Vila Real da Praia Grande, no século XVIII, possuía grandes fazendas cujos sobrenomes dos proprietários acabou ganhando identificação, mais tarde, como nome de bairros. Essa é a história, por exemplo deste bairro. “Seu” Fonseca era José da Fonseca e Vasconcelos, dono de uma das maiores fazendas de cana-de-açúcar da região, que tinha engenho e capelinha. A capela existe até hoje.

A história do município tem passagem marcante por este bairro, que é, sem dúvida o mais tradicional da cidade. Apesar das inúmeras tentativas de degradação, o bairro preserva ainda belíssimos patrimônios do século XVIII, XIX e início do século XX. Ao longo das principais vias é possível encontrar residências, igrejas e escolas em vários estilos arquitetônicos clássicos.

Mais Sobre o Fonseca

O Fonseca é um dos bairros mais antigos de Niterói. Ele fica em um vale cortado pelo canal do rio da Vicência, circundado por morros que o limitam com Baldeador, Caramujo, Viçoso Jardim, Cubango, São Lourenço, Santana, Engenhoca, Tenente Jardim e também o município de São Gonçalo.
Olhando-se o Fonseca do alto, na descida do morro da Caixa d’Água ou de qualquer de seus morros, pode-se observar imediatamente dois fatos que são marcantes na caracterização do bairro: 1º) a Alameda São Boaventura com suas duas vias, o canal da Vicência e árvores que o ladeiam, cortando o bairro no sentido Oeste — Leste, e seu grande movimento de veículos; e 2º) a ocupação praticamente total de seu território por edificações onde são minoritários e facilmente identificáveis os edifícios de apartamentos, tanto na parte baixa quanto nas suas encostas.

Alameda São Boa-Ventura
Alameda São Boaventura – Foto 1922

A predominância de construções de um ou dois pavimentos fez do Fonseca um bairro extremamente populoso e adensado (11.499 hab/Km2). Em população ele é o maior da Região Norte e o segundo de Niterói, com uma diferença de 4.960 habitantes (1) em relação a Icaraí. O padrão construtivo é bastante diversificado: há desde alguns palacetes que ainda resistem ao tempo a casas geminadas, sobrados, vilas de casa (2), edifícios, prédios populares e casas de favelia, atestando o seu grande contingente populacional, sua história e seu perfil.
O lugar calmo e coberto de vegetação exuberante que existia até o final do século passado, com suas fazendas e aprazíveis chácaras que serviam de endereço para famílias ilustres, gradativamente deu lugar ao Fonseca de hoje. Historicamente o Fonseca está intimamente ligado a São Lourenço e Santana, daquele se originando.
Na Sesmaria de São Lourenço dos Índios, estabeleceram-se “gente de pequenas ou maiores posses”, com assistência dos jesuítas e sob às vistas das autoridades régias, em terras obtidas por aforamento aos que as solicitavam, por um preço irrisório. Provavelmente muitas terras foram ocupadas nessa época sem título algum. Desta forma, iniciou-se a ocupação e constituição de Niterói, particularmente do bairro do Fonseca, que deve seu nome a José da Fonseca Vasconcellos, um dos grandes fazendeiros da região.
Nos campos do Fonseca, cercado pelos morros (3) antigamente chamados de São Lourenço, ao Sul, e Santana, ao Norte, foram estabelecendo-se propriedades agrícolas: primeiro plantações de cana e engenhos; depois café, além de milho, feijão, mandioca, hortaliças e pomares. Com o tempo estas propriedades foram sendo divididas, para venda ou entre os herdeiros, e as terras maiores sendo subdivididas em sítios e chácaras. Novos moradores se estabeleceram no bairro.
Com a interiorização do Estado, surge a necessidade de abrir novas vias pelos caminhos de chão (posteriormente, trem), e por água (rios ou mar). A ocupação do Fonseca está relacionada a este fato.
Dois eram os caminhos que ligavam Niterói a Inoã / Maricá e Campos. Passando pelas matas da Paciência, um deles cortava o Fonseca, aproveitando um caminho natural (4), ao longo do curso do rio da Vicência, cujo edital de concorrência para canalização data da primeira metade do século XIX. A necessidade permanente de melhoria do caminho e a intensificação da ocupação do Fonseca, levaram não só a sua urbanização, como a construção da Alameda São Boaventura. Isto fez com que o bairro passasse a ser dotado de outros serviços públicos: a 07 de setembro de 1883 foi inaugurada a linha de bondes de tração animal até o final da Alameda; e, a 15 de agosto de 1908, chegam os bondes elétricos.
O processo de ocupação de São Lourenço, Santana e Fonseca se intensifica e novos estabelecimentos comerciais e industriais instalam-se, atraindo novos moradores, tanto do interior do Estado, quanto do exterior (portugueses, espanhóis e italianos). No séc. XX, as obras do aterro de São Lourenço, a construção do porto de Niterói (pedra fundamental em 1924), da estação ferroviária (1930) e a abertura de nova avenida (Feliciano Sodré), ligando diretamente a Alameda à rua Visconde do Rio Branco, concorrem ainda mais para o crescimento do Fonseca.
Aparecem as mansões; colégios particulares são criados (Brasil e Nossa Senhora das Mercês); loteamentos são lançados, charcos são drenados possibilitando novas edificações; o Horto (e suas escolas superiores) é criado; aparece a Penitenciária; o Grupo Escolar Hilário Ribeiro é instalado; novas ruas são abertas comunicando o bairro com outros bairros; pequenas indústrias começam a funcionar (como a fábrica de tamanco, a fábrica de doces e a fábrica de cimento — todas desativadas); e a “Vila Jardim” é projetada e construída no campo do Ipiranga, ao lado da Alameda, para habitações de trabalhadores.
Muitos estabelecimentos comerciais são instalados ao longo da Alameda e de suas ruas transversais. Chegam os armazéns de secos e molhados, padarias, bares, quitandas e leiterias. Algumas poucas chácaras e sítios que persistiram até décadas mais recentes acabaram dando lugar a casas, vilas de casas ou prédios de apartamentos. Com o crescimento do Fonseca sedimenta-se também o seu perfil de bairro residencial.
Os anos passam e o transporte rodoviário torna-se o mais utilizado, fazendo praticamente desaparecer o porto e a ferrovia, vítimas também do esvaziamento econômico do interior do Estado. A construção da Ponte Rio-Niterói e a sua ligação direta com a Alameda São Boaventura aumenta o tráfego de veículos e atrai novos moradores, intensificando ainda mais a ocupação do bairro.
Até o início da década de 50, quando foi dado outro traçado ao canal da Vicência, facilitando o escoamento das águas pluviais, as enchentes eram intensas e crescentes. Com a construção da Ponte Rio-Niterói ouve nova obstrução na saída do Vicência, trazendo de volta as enchentes (5). O problema quase crônico das enchentes, aliado ao excesso de veículos em trânsito, reduziram a qualidade de vida no Fonseca. A busca de endereços mais atraentes ou junto ao mar provocam forte movimento migratório para outros bairros, contribuindo para mudar o perfil dos moradores do Fonseca.
Famílias tradicionais do Fonseca formada por médicos, industriais e comerciantes — como os Saramago Pinheiro, Torres, Vianna, Botelho, Bastos, Cunha, Pereira Faustino, Pestre, Pires de Mello, Marcondes, Alves, Lima Monteiro (6) e tantas outras — acabam preferindo ir para outros bairros em busca de tranquilidade.

1 – Censo Demográfico IBGE/91.
2 – Os terrenos das casas do Fonseca, razoavelmente espaçosos, possibilitaram construções de “casas de fundos”, para aluguel ou moradia de um filho. Casas de um pavimento foram transformadas em dois, pela mesma razão. Terrenos maiores levaram a construção de vilas de casas para aluguel, vistas como fonte segura de renda.
3 – Estes morros vão recebendo novas denominações à medida que vão sendo ocupados: Juca Branco, Boa Vista, Holofote, etc.
4 – Percorrido por Pedro II.
5 – Todas as águas das chuvas convergem para a Alameda, para o “rio da Alameda”, que só dá vazão se estiver com suas saídas desobstruídas e limpo ao longo de seu curso. As “chuvaradas” já carregaram pelo canal desde móveis e galhos de árvores, a automóveis, animais e pessoas.
6 – Na missa de domingo às 10:00 horas da manhã, na Igreja de São Lourenço, era possível encontrar todas essas famílias reunidas.

 

Geografia e atualidades

O bairro tem sua geografia localizada no entorno da Alameda São Boaventura que é uma das principais vias da cidade, e é também utilizada como o principal elo de ligação entre a RJ-124(Via Lagos) e RJ-106(Rodovia Amaral Peixoto) à capital do Estado, Rio de Janeiro, o município de São Gonçalo e Maricá. É também na Alameda, que está situado Horto Botânico de Niterói.O Bairro possui, segundo dados recentes possui cerca de 58.000 habitantes, sendo o segundo maior bairro de Niterói. Recentemente, em fevereiro de 2008, iniciou-se a obra para um corredor viário para organizar o trânsito e melhorá-lo nos horários de pico. A obra foi concluída em março de 2010, com uma melhoria significativa do trânsito na região.

Fonte: www.nitvista.com.br