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Hospital Azevedo Lima agoniza por falta de salários - Site do bairro do Fonseca

Hospital Azevedo Lima agoniza por falta de salários

Hospital Azevedo Lima agoniza por falta de salários

Quem tentou ser atendido na emergência do Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), entre 9h e 10h30 desta quarta-feira (20), encontrou dificuldades. O contínuo atraso no pagamento dos médicos da unidade fez com que estes realizassem uma paralisação temporária, atendendo apenas a pacientes em estado grave. Todos os funcionários do Heal, administrado pela Organização Social (OS) Instituto Sócrates Guanaes (ISG), estão com seus salários atrasados. E isso ocorre há pelo menos dois anos. 

Além de médicos e enfermeiros, funcionários da limpeza, da manutenção e da ambulância também estão com seus vencimentos em atraso. Segundo um médico que atua na emergência, que preferiu não se identificar por medo de retaliações internas, nem o 13º salário de 2016 foi totalmente quitado, apesar do referido desconto no Imposto de Renda de 2016 ter sido feito de forma integral por parte do governo estadual. 

“Ainda falta recebermos a quarta parte do 13º do ano passado e nem temos previsão para receber o 13º de 2017. Nosso FGTS também está em atraso desde julho de 2016. O salário de novembro também não caiu na conta e nem sabemos quando cairá, muito menos o de dezembro. O mais me desmotiva é ter que assistir esse verdadeiro desmonte da saúde pública”, lamentou o funcionário. 

De acordo com uma enfermeira da unidade, funcionários contratados de setores como a Neurocirurgia estão com os repasses atrasados há ainda mais tempo: quatro meses. Ainda segundo a servidora, recentemente, uma enfermeira pediu demissão do cargo após três anos sem conseguir autorização para tirar férias. Consequentemente, passou a enfrentar problemas de saúde. 

“Aqui no Heal não existe mais a regra de receber no quinto dia útil. Recebemos quase sempre depois do dia 20 de cada mês. Lembrando que a nossa área de repouso está sem ar condicionado há três meses. Já pedimos reparo e eles alegam falta de verba, apesar do local estar insalúbre. Diversos setores não têm medicamentos, papel higiênico, papel toalha e insumos básicos”, detalhou a funcionária, também não se identificando e acusando a direção do Heal de coagir os funcionários para que não fossem realizadas manifestações ou paralisações. 

Entretanto, apesar dos impasses enfrentados pelos funcionários, pacientes que foram atendidos na emergência no final da manhã desta quarta-feira alegaram funcionamento normal. A dona de casa Aparecida da Silva Cohen, de 57 anos, esteve no setor por volta de 12h e foi atendida normalmente. 

“Para mim deu tudo certo. Não tinha muita fila e eu fui atendida muito bem, tanto pela enfermaria quanto pelos médicos”, disse a moradora do bairro do Fonseca. 

  

Respostas – Procurada, a coordenação de Comunicação do Heal confirmou os atrasos no pagamento dos 13º salários de 2016 e 2017 aos funcionários. Em relação aos vencimentos ordinários, informou que estes estão sendo quitados apenas ao passo que a Secretaria de Estado de Saúde realiza os referidos repasses, impossibilitando o pagamento dos funcionários no quinto dia útil. O Instituto Sócrates Guanaes (ISG) administra o Heal há cerca de quatro anos. 

Fonte: http://www.ofluminense.com.br