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Bia Willcox, dona de editora, fala sobre o incentivo à cultura do livro - Site do bairro do Fonseca

Bia Willcox, dona de editora, fala sobre o incentivo à cultura do livro

A mulher, segundo Bia Willcox, não deve ser tratada igual ao homem, mas dentro de uma igualdade de oportunidades. Foto: Evelen Gouvêa
Bia Willcox, dona de editora, fala sobre o incentivo à cultura do livro

A empresária dona da editora Faces, fala ao jornal O FLUMINENSE sobre a publicação de livros, seus trabalhos em outras mídias e o papel da mulher na sociedade contemporânea

O mercado editorial brasileiro precisa de uma série de mudanças radicais para facilitar a venda de livros nacionais. É o que afirma a empresária niteroiense Bia Willcox, dona da editora Faces. Com apenas dois anos de idade, a companhia é dona de títulos como Liberdade Crônica, da atriz Maria Paula, e o polêmico Pandemonium, de Zeca Fonseca. Para abalar as estruturas do sistema de compra e venda de livros no País, Bia propõe um aumento na impressão de cópias sob demanda e uma maior criatividade na hora de negociar as vendas para livrarias.

Porém, não é apenas no que diz respeito ao financeiro que a editora opina. Para Bia, o uso de ferramentas como blogs e redes sociais também pode ser extremamente benéfico, especialmente para quem está começando na área. É o caso dos novos autores reunidos pela Faces no projeto Berçário de Talentos, uma coletânea de contos escritos por jovens com menos de 25 anos. Com os temas sexo e tragédia, o projeto já teve duas edições e pretende voltar todos os anos com novas promessas da literatura.

Advogada por formação, Bia viu todo um novo caminho se abrir com suas propostas inovadoras para a área editorial. Também responsável pelo curso de inglês B.I.A. (Bilingual Interface Academy), a editora foi recentemente convidada para participar de um think tank com outros executivos e intelectuais brasileiros na Fundição Progresso. O objetivo é pensar uma nova forma de unir arte e negócio, sem que nenhum dos dois saia prejudicado. Palestras, colunas, roteiros para a televisão, uma parceria com a ONG Meu Rio e um ensaio fotográfico baseado em grandes mulheres também foram algumas das novidades que Bia encontrou em seu percurso profissional. Em entrevista exclusiva ao jornal , a editora fala sobre a publicação de livros, seus trabalhos em outras mídias e o papel da mulher na sociedade contemporânea.

Como você passou do Direito para o mercado editorial?
Eu fiz Direito, mas o que ninguém sabe é que eu também fiz licenciatura em Letras. Então, acabei me envolvendo com o magistério e me chamaram para montar um curso de inglês. O bilinguismo, no Brasil, é novo, e surgiu a necessidade de montar uma editora para fazer meu próprio material didático. No meio do caminho, eu me casei com o Zeca Fonseca e ele disse: “Por que você não faz uma editora tradicional?”. Aí a gente montou a Faces. Eu gostava da faculdade de Direito. Eu acho que o que me desencantou foi a prática, que é limitante e não tem criatividade. Mas, hoje, com a editora, voltei a mexer com direito, fazendo os contratos. De alguma forma, o direito está me atendendo em algo que eu adoro.

Você chegou a publicar livros didáticos?
Teve um atraso nisto. Agora, estamos publicando livros infantis. Publicamos uma série bilíngue e os livros do curso estão sendo feitos. Mas acabou que minha vida tomou outro rumo e eu acabei me envolvendo com o processo de conhecer autores, avaliar livros… Eu resolvi fazer Direito porque eu sempre quis ser jornalista. Aí, meu pai disse: “Mas os grandes jornalistas da atualidade fizeram Direito”. Papo furado, não é? E, agora, com este turbilhão de coisas que eu faço, o meu trabalho principal, além de editora, é de jornalista. Tenho colunas, escrevo crônicas, faço assessoria de imprensa dos autores, entrevisto… Na verdade, caí no que eu sempre quis.

E você tem planos de lançar um livro?
Outro dia, me disseram que eu já tenho tanto texto nas minhas colunas que eu vou acabar fazendo um livro meu. Mas, no momento, eu quero fazer livros dos outros. Na verdade, o meu grande plano, hoje, é roteiro. Fiz uma primeira experiência com um roteiro para a TV [para o canal GNT] e ele agradou muito. Então, fiquei autoconfiante. Aí, fiz um segundo, que já foi aprovado. Está para ser inserido na grade [da Record] em 2013.

Enquanto combinávamos a entrevista, você disse que estava trabalhando com uma websérie…
Nós, na editora, temos um projeto de apostar em novos talentos e temos muitos autores ligados a cinema. Então, mostrei para dois autores nossos um roteiro que eu tinha feito, sobre jovens nerds, chamado Alternativa Nerd, e disse: “Quero que vocês coloquem a linguagem de vocês”. A gente vai fazer um piloto e, ao mesmo tempo em que vamos apresentá-los para emissoras, vamos botá-lo no ar. Eu acredito muito no poder da transmídia e gosto muito de investir em jovens talentos. Não tenho nenhum problema em aprender com a garotada.

Qual é a principal dificuldade que vocês enfrentam para colocar estes novos autores no mercado?
O mercado editorial brasileiro é difícil. Normalmente, os campeões de venda são livros traduzidos. Os autores daqui têm espaço, sim, mas eu acho que o mercado editorial precisa de uma revolução. Sempre digo que a maior criatividade que a gente tem que ter no mercado editorial é a comercial. A gente pensa que criar é só na diagramação, mas você tem que criar nos negócios. Você roda um montão de livros e fica com eles encalhados. Se as editoras começarem a fazer uma negociação criativa, a coisa acontece. Eu acho que o livro, hoje, é uma porta de entrada. Quem pensa em ser autor, quer que seu livro vá para o cinema ou para a televisão. O novo autor ainda não está estabelecido, mas ele tem um mundo de opções pela frente, nestas transmídias que o cenário de hoje permite. Nós estamos abrindo esta vitrine para eles.

Você fez uma palestra na Fliporto com a atriz Maria Paula sobre a mulher de hoje e outra no Centro Cultural da Justiça Federal, com a jornalista Mariana Gross. Qual você acha que é o papel da mulher na sociedade contemporânea?
Às vezes, eu acho que as pessoas me chamam para falar de mulher por causa do monte de coisas que eu faço. Eu sou uma mulher que tenta sobreviver. A mulher não deixou de ter o trabalho que ela tinha, e eu acho que não deve. Não deve abrir mão da maternidade, de tempo com os filhos… Você tem que equacionar e, basicamente, trabalhar no que gosta. Se você trabalha no que gosta, você consegue ter uma vida legal trabalhando e dividindo com a família. O importante é não perder o que tem de bom em ser mulher. Eu uso sempre uma citação de Aristóteles: “Igualdade é você tratar os desiguais com desigualdade”. A mulher não é igual ao homem, então tem que ser tratada diferente, mas dentro de uma igualdade de oportunidades.

Você pode falar um pouco sobre seus próximos projetos?
Estamos expandindo o curso de inglês. Em 2013, vamos para a Zona Sul, onde atenderemos escolas com a proposta de programas bilíngues com aulas de todas as matérias em inglês. Os adolescentes se sentem extremamente desmotivados com as aulas. É normal. Querem ficar no Facebook… Essas coisas de adolescente. O que eu fiz? Comecei a preparar exercícios com coisas do Facebook, com figuras do 9gag… Eles amaram! Em 2013, este é o nosso grande desafio em relação à escola. Em relação à editora, estamos cada vez mais próximos do cinema e temos projetos diferenciados, tanto na área de livros digitais, quanto na de impressão sob demanda. Eu tenho a minha coluna, que deve chegar a outros jornais em 2013, e fiz uma fanpage no Facebook. Lá, coloco todas as minhas novidades nesta área.


O Fluminense


Fonte: http://jornal.ofluminense.com.br