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O mestre do realismo ganha exposição no Rio de Janeiro - Site do bairro do Fonseca

O mestre do realismo ganha exposição no Rio de Janeiro

Nelson Pereira dos Santos e Grande Otelo durante as filmagens do longa-metragem “Jubiabá” , de 1986, baseado no românce de Jorge Amado. Foto: Divulgação
O mestre do realismo ganha exposição no Rio de Janeiro

Nelson Pereira dos Santos, um dos precursores do Cinema Novo, ganha mostra na Caixa Cultural. A sua marca é indefectível e sua genialidade é inspiração para jovens diretores

Ele é um dos precursores do Cinema Novo e fundador do curso de Cinema na Universidade Federal Fluminense, em Niterói. A sua marca nas telonas brasileiras é indefectível e sua genialidade é uma inspiração para os jovens diretores. No ano em que completa 85 anos de vida e 64 de carreira, Nelson Pereira dos Santos ganha, a partir de hoje até o dia 18 de agosto, uma justa homenagem com a mostra Simplesmente Nelson, com curadoria de Breno Lira Gomes, na Caixa Cultural do Rio.

“Estou muito feliz com a homenagem. São só 85 anos (risos). Os meus filmes são de algumas gerações atrás, mas é sempre uma experiência nova para quem não os conhece. Na minha geração, só existia cinema americano. Depois, apareceu uma surpresa fantástica: o neo-realismo italiano. Viu que se podia fazer cinema no Brasil. Depois veio o cinema mais libertário. E a liberdade de expressão é fantástica. São muitos momentos cinematográficos marcantes e o cinema brasileiro sempre continuou criando. Hoje, temos uma variedade de gênero. O jovem cineasta de hoje vive seu próprio caminho. Isso que é bonito!”, afirma Nelson Pereira dos Santos.

O primeiro diretor de cinema imortal da Academia Brasileira de Letras vai ter grande parte de sua rica obra exibida com direito a debates. Hoje, às 19h, o próprio cineasta vai participar do primeiro debate do evento. Entre as 34 produções dirigidas por Nelson Pereira dos Santos que vão ser exibidas ao longo da mostra estão clássicos como Rio 40 Graus, Boca de Ouro, Vidas Secas, Memórias do Cárcere, entre outros. Nos dias 13 e 14, haverá o curso “Nelson Pereira dos Santos e a literatura”, que será ministrado pela professora Angélica Coutinho. As inscrições para o curso podem ser feitas pelo e-mail inscricao@blgentretenimento.com.br.

“Filme é igual a filho. É difícil de dizer o preferido. Posso dizer qual é mais preferido pela crítica. Mas Rio 40 Graus é muito querido por mim, porque foi o primeiro e até hoje influencia as pessoas. Outro filme que gosto é o Vidas Secas. “Memórias” também gosto muito. Também fiquei feliz com o último filme que fiz em homenagem a Tom Jobim, A música segundo Tom Jobim, que está rodando o mundo. A gente tinha um programa em 84 com o mesmo título na TV Machete. Nós tínhamos uma relação de amizade e esse programa foi muito divertido de fazer”, afirma o cineasta.

Os últimos 60 anos do Brasil foram registrados, de certa forma, pelo olho do diretor Nelson Pereira dos Santos. Desde os meninos de rua, a seca do Nordeste, a ditadura Vargas, a cultura popular até a baixa umidade do ar em Brasília. O cinema de Nelson apresenta uma nova estética ao cinema brasileiro: com vida, sem glamour, sem estrelas. Filmando nos lugares naturais, sua câmera atua, não só como testemunha, mas também como protagonista, tomando partido dos mais fracos e esquecidos. Seu cinema o coloca em pé de igualdade com os mestres do neorrealismo de italiano Roberto Rosellini e Vittorio de Sica.

“Cinema é o maior, o mais forte, o mais influente elemento cultural. É para fazer o Brasil avançar. Hoje se tem mais de 90 filmes sendo produzidos por ano no País. Comparado com o meu tempo de cineclube, é uma beleza. É uma grande conquista”, analisa o homenageado.

Não só todos os filmes dirigidos pelo homenageado estão na programação, mas também obras em que ele atuou como editor (Barravento, de Glauber Rocha), assistente de direção (O Saci, de Rodolfo Nanni, e Agulha no Palheiro, de Alex Viany), e produtor (O Grande Momento, de Roberto Santos). Além disso, serão mostrados filmes em que Nelson – ou seus filmes – é retratado: Nelson Filma, de Luiz Carlos Lacerda; Como se morre no cinema, de Luelane Loiola Corrêa, e Nelson Pereira dos Santos saúda o povo e pede passagem, de Ana Carolina. E a filmografia de Nelson Pereira dos Santos continua a todo vapor. O cineasta está pondo todas suas ideias em prática.
“Estou com um projeto imediato, que é o documentário sobre Roquete Pinto com depoimentos. Ele tem um arquivo imenso. Agora também estou na fase de captação de recursos para gravar ano que vem um filme sobre Dom Pedro II baseado no livro de José Murilo de Carvalho”, adianta o cineasta.

Agenda

6/8 – terça-feira

Cinema 1

15h30 Agulha no Palheiro
17h30 Rio Zona Norte
19h Debate com Nelson Pereira dos Santos, Breno Lira Gomes, Silvia Oroz. Mediação Angélica Coutinho

Cinema 2

16h O Saci
17h15 Rio 40 Graus

7/8 – quarta-feira

Cinema 1

15h Curtas: A missa do galo; Meu compadre Zé Keti; Nelson Filma; Como se morre no cinema
16h30 O grande momento
18h30 Mandacaru Vermelho

Cinema 2

16h Boca de Ouro
18h Vidas Secas

8/8 – quinta-feira

Cinema 1

15h Como era gostoso o meu francês
17h Vidas Secas
19h Debate com Luiz Carlos Lacerda, Rodrigo Fonseca e João Carlos Rodrigues. Mediação Eliska Altmann

Cinema 2

16h Casa grande e senzala – p.1
17h15 Casa grande e senzala – p.2
18h30 Casa grande e senzala – p.3
19h45 Casa grande e senzala – p.4

9/8 – sexta-feira

Cinema 1

14h El Justiceiro
15h45 Fome de amor
17h15 Azyllo muito louco
19h15 Como era gostoso o meu francês

Cinema 2

15h Raízes do Brasil
17h45 A música segundo Tom Jobim

10/8 – sábado

Cinema 1

14h Quem é Beta?
16h Cinema de lágrimas – após a exibição, bate-papo com a curadora Silvia Oroz
19h Insônia

Cinema 2

14h30 A terceira margem do rio
16h30 A luz do Tom

11/8 – domingo

Cinema 1

13h30 Curtas: A missa do galo; Meu compadre Zé Keti; Nelson Filma; Como se morre no cinema
15h Brasília 18%
17h Na estrada da vida
19h Jubiabá

Cinema 2

15h15 O amuleto de Ogum
17h45 Tenda dos milagres

13/8 – terça-feira

Cinema 1

15h Insônia
17h El Justiceiro
18h45 Rio 40 Graus

Cinema 2

16h30 Casa grande e senzala – p.1
17h45 Casa grande e senzala – p.2
19h Curso “Nelson Pereira dos Santos e literatura”, ministrado pela professora doutora Angélica Coutinho – entrada franca

14/8 – quarta-feira

Cinema 1

15h45 Fome de Amor
17h15 Quem é Beta?
19h15 Rio Zona Norte

Cinema 2

16h30 Casa grande e senzala – p.3
17h45 Casa grande e senzala – p.4
19h Curso “Nelson Pereira dos Santos e literatura”, ministrado pela professora doutora Angélica Coutinho – entrada franca

15/8 – quinta-feira

Cinema 1

13h45 Barravento
15h30 Memórias do Cárcere
19h Debate

Cinema 2

16h A música segundo Tom Jobim
18h A luz do Tom

16/8 – sexta-feira

Cinema 1

14h Jubiabá
16h15 Barravento
18h15 Tenda dos milagres

Cinema 2

16h O amuleto de Ogum
18h O Saci

17/8 – sábado

Cinema 1

13h O grande momento
15h Na estrada da vida
17h Agulha no palheiro
19h Brasília 18%

Cinema 2

14h Azyllo muito louco
16h Boca de Ouro

18/8 – domingo

Cinema 1

14h Cinema de lágrimas
16h Mandacaru vermelho
17h30 Memórias do cárcere

Cinema 2

15h A terceira margem do rio
17h Raízes do Brasil

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro fica na Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô: Estação Carioca). Ingressos a R$ 4. Informações: 3980-3815.



Fonte: http://jornal.ofluminense.com.br